29 novembro 2013

Holiness: Um novo folego pro metal-gótico

Fala galerinha do rosck!
Primeiramente pedimos desculpas pelo atraso nos posts, essas ultimas semanas estão meio complicadas pra nós mas vamos tentar compensar tudo isso. Enfim, vamos ao post do dia que é mais um Underground23 que hoje foge pro metal um pouquinho, metal-gótico para ser mais especifico. Vamos falar da banda Holiness, uma banda gaúcha que toca um metal-gótico com pitadas de metal-melódico, não só isso mas uma banda que reciclou e muito esse sub-gênero do metal.

A banda traz um vocal feminino limpo mas sem ser lírico, no mesmo estilo de bandas como o Lacuna Coil, por exemplo, mas Stephanie Schirmbeck consegue impôr as musicas seu estilo com um timbre bem diferente do que costumamos ouvir no meio gótico.
A banda é composta por a já citada Stephanie Schirmbeck no vocal, Fábricio Reis guitarra, Hércules Moreira no baixo e Cristiano Moreira na bateria. São bons músicos e juntos são bem concisos, todos tendo seu espaço.
Dito tudo isso, devo explicar que eles conseguem criar umas musicas bem melódicas, com muita pitada desse outro sub-gênero do metal, os riffs, solos e até mesmo o estilo da bateria trazem um pouco disso, o que torna as musicas ainda mais interessantes. Por falar nesse lado melódico, não posso deixar de citar o quanto fica bacana as musicas da banda no estilo acústico. Mine é uma prova disso e acredito que eles deveriam apostar um pouquinho mais nisso pois é muito foda e a mim agradou bastante.
O Holiness lançou um álbum em 2010 intitulado Beneathe The Surface com 10 ótimas musicas entre elas um cover de Alanis Morissete que ficou extremamente matador com muito peso, isso é algo que eu curto bastante, pegar um som mais calmo e tornar ele metal, nesse caso, ficou ainda mais interessante pela similaridade dos vocais. Depois disso vieram dois singles: Dead Inside, que ganhou um excelente clip e Drowning que não deixa a peteca cair. Esses dois singles são apenas a visualização do novo álbum que a banda ainda planeja lançar, estão deixando claro que a banda esta mais pesada e que esse novo caminho é muito bom, além, é claro, dessa versão acústica de Mine em formato single também.

Por falar nisso, algo que merece muito reconhecimento é a atenção dada a todo o trabalho da banda. Quando falo todo trabalho, é TODO trabalho mesmo maaan! As musicas demonstram terem sido trabalhada ao máximo com toda atenção possível dos músicos, a qualidade das gravações e mixagens não deixam a desejar pra nenhuma banda gringa (aliás, mixado por Tommy Newton um produtor americano que já trabalhou com Gamma Ray, Helloween e Blind Guardian), as capas do álbum e singles tem um trabalho muito bonito e os clips da banda são incríveis com o tom certo
Quando pensamos em metal gótico, já vem um monte de esteriótipos em mente, já esperamos mais do mesmo, não importando se estejamos falando de uma banda nacional ou não, não que isso seja algo ruim mas ver algo novo como o Holiness traz um folego a mais pra esse gênero, ver que essa banda esta em ascensão, traz uma esperança ainda maior não só pro estilo quanto para o metal como um todo.

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05 novembro 2013

Álbum novo do Evergrey vem por aí

Fala povo do rock! Hoje venho trazer uma noticia curta mas que é muito bacana: provavelmente em 2014 virá mais um álbum de estúdio do Evergrey.
O vocalista e guitarrista (além de dono da banda) Tom Englund colocou a foto abaixo junto com o aviso "New album 2014 in the works — em Division Two Studios" ou seja, em tradução mais que livre do meu inglês de vídeo-game, "Novo álbum para 2014 sendo trabalhado."

A noticia é muito bem vinda pois um já se faz um bom tempo desde o lançamento do matador Glorious Collision, 2011, álbum que trouxe pela primeira vez uma nova formação pra banda com Johan Niemann no baixo, Hannes Van Dahl na bateria e Marcus Jidell na guitarra solo, da antiga formação só restava Rikard Zander nos teclados e o já citado Englund. 
Essa formação nova trouxe novo folego a banda que lançou ótimos álbuns com sua formação antiga mas já mostrava um certo "cansaço" e após a falência da gravadora alemã SPV acabou se dissolvendo quase que por completa. O ultimo álbum de estúdio gravado com a antiga formação, Torn de 2008 era muito bom, pelo menos é um dos meus álbuns de cabeceira, mas apesar de manter o mesmo estilo inrotulável do Evergrey, tinha uma sonoridade totalmente diferente desta apresentada pela nova formação em Glorious Collision, que foi muito bem aceito por todos, tanto mídia quanto fans. 
Essa nova sonoridade citada acima, tem um "Q" de moderna sem perder o peso, a pegada progressiva aliada a outros estilos como power e dark metal, aqui podemos encontrar um "Q" de rock alternativo também, o que torna essa nova formação muito promissora e que nos permite aguardar algo tão foda quanto em 2014.
Depois de várias entrevistas com a banda citando que poderia tomar novos rumos além de álbuns de estúdio financiados por gravadoras e lançar musicas de maneiras alternativas como por exemplo a internet, ou até mesmo de maneira independente, a duvida que fica é: como será que esse material chegará aqui em nossas terras brasileiras.

02 novembro 2013

Attitude

Atitude, palavra legal de pronunciar e de usar essa: Attitude. Você realmente sabe o que essa palavra significa? Já parou pra pensar que atitude rock é algo além do que usar estampa ou se vestir-se de preto? Acredito que não. E acredito também que essa reflexão só faria diferença a 10% que estão lendo este texto -isso contando apenas as pessoas que o lerão até o fim- contagem que irá se reduzir ainda mais se colocarmos apenas os que entenderem, ou seja, quase ninguém.
Antes de adentrar a esse assunto, acho que notaram que o nome do blog é exatamente esse: Attitude. Em inglês, com dois T's, para ter o peso de musicas que tem o mesmo nome e a força que a palavra merece. Não escolhemos esse nome para esse blog a toa não, pensamos e repensamos e esse nome foi o que melhor se enquadrou a proposta do esboço do projeto. Cansados da mesmice de sempre, nosso projeto veio como algo que quer falar a real, enfiar o dedo na ferida se possível, usar o cérebro e ensinar o que soubermos e aprender o que sabem. Falar de uma maneira diferente de assuntos já tão visitados da mesma maneira de sempre, sim, estamos usando o famoso "faça você mesmo" por estarmos cansados de ver mais do mesmo.
Voltando ao assunto principal disso tudo, atitude é mais ou menos o que eu disse do blog, é você ter coragem de ir lá e fazer você mesmo, da maneira que acha certo, é claro que tendo noção do que é certo ou errado para não piorar ainda mais a situação. É você fazer algo do que se orgulhe, é dar o seu melhor por algo que acredite. 
Atitude, é você manter uma postura decente em todos os momentos, não apenas quando quiser elogio mas quando ninguém estiver olhando, quando estiver entre pessoas desconhecidas que provavelmente não irão notar nenhuma dessas suas boas ações, atitude é fazer o certo para você, porque você acredita que esse é o certo.
Andar por aí cheio de drogas (lembrando que o álcool também é uma droga), causando confusão, enchendo o saco das outras pessoas, não é ter atitude, e sim agir como um imbecil. Tentar tirar proveito em tudo que faz e impor suas convicções aos outros, em todos momentos de sua vida, é ser um idiota.
Veja bem que essas ações descritas no parágrafo anterior descrevem não só pessoas do nosso país mas também seres que se auto intitulam "roqueiras", "bangers", "punks" e tudo mais. Esses "modo de agir" faz com que essas pessoas demonstrem o que há de pior no mundo, faz com que tudo se torne mais do mesmo, faz com que todos queiram se dar bem em cima um do outro, que todos queiram ser superior ao outro. Um grandíssimo bando de filhos das putas que só sabem olhar pro próprio umbigo. Quem tem atitude num mundo assim, deixa de fazer parte desse bando de ninguém e aí sim, se tornar alguém superior, não porque se acha melhor, mas porque entrega o seu melhor ao mundo.

15 outubro 2013

Dia Do Professor: E o respeito, ó!

Hoje é um dia dedicado àqueles que, por um longo período de tempo, têm feito parte de nossas vidas: o professor.
Como profissional na área da educação, tenho visto e sentido na pele as agruras desse setor. E sério, não é fácil! 
A minha indignação não está ligada tão somente ao salário pois acredito que este seja apenas reflexo da falta de reconhecimento tanto por falta de governo, pais e alunos.

Há um tempo atras li uma matéria "O que os professores realmente querem dizer aos pais" (Link aqui) onde o autor Ron Clark afirma que o maior problema no exercício da  docência esta ligada aos pais. Isto porque pais e professores não se entendem mais. Há pais que sequer sabem em que sala o filho estuda e quem são seus professores. Tomam partido do filho sem ouvir o outro lado. Estou falando do que vejo, do que presencio, não do que imagino ou me contam.
É certo que o professor não é visto como um profissional tal qual um médico, engenheiro, advogado ou de quais quer outra área. Esta afirmação se ratifica desde reação de desprezo das pessoas quando tomam conhecimento da profissão e/ou curso à "importância" dada a um conselho ou reunião.
Em entrevista a Veja.com (Link aqui) , Clark afirma a importância do trabalho em conjunto entre pais e mestres: "Os pais precisam da escola e a escola precisa do apoio da família para realizar um  bom trabalho." Isso porque não é possível delimitar onde termina o trabalho da família e começa o do professor. Se a família não respeita e não vê o professor como um profissional, dificilmente os filhos o iriam enxergar e tão pouco o respeitar.
Mas a minha critica aqui não se resume aos pais e sociedade. Se estende a nós, profissionais da educação.
Talvez, por não nos sentirmos valorizados, também não nos damos o devido valor. Enquanto não nos enxergamos como profissionais e fazermos valer os anos de estudos para chegar onde estamos, os outros também não enxergarão.
Se vista como profissional. Escola não é sua casa, é seu local de trabalho! Assuma o seu papel sem medo. Aja como profissional. Sem "mimimi". Escolhemos essa profissão sabendo o que nos aguardava.
Quanto ao governo... Chega mais...
Sua "cobrança" a nosso setor é tão bizarra, tão desproporcional e medonha... é tanta burocracia e uma série de coisas que devemos cumprir... que fico em dúvida se realmente deseja que façamos um excelente trabalho, ou se apenas faz isso, de proposito, para nos atrapalhar no mesmo.
No mais agradeço a todos os profissionais da educação, em especial aos que direto ou indiretamente fizeram e fazem parte da minha vida.  A todos vocês, que tecem a manhã de forma única e particular, o meu Muito Obrigada! Feliz dia do professor!

12 outubro 2013

Ben Draiman: Emoção de Maneira Unica

Olá cidadãos do rock! Começo esse Underground23 dizendo que nós recebemos informações de músicos de diversas bandas e estilos por diversos meios, entre eles, Twitter ( @Attitude23_ ) e e-mail ( doyourself23@gmail.com ). Avaliamos as bandas e o nosso critério é, se for underground e de qualidade, -isso é, fizer nossa cabeça e demonstrar qualidade em seu trabalho até não sendo um estilo que nos agrade- publicamos. Muitas vezes, como somos duas pessoas, uma banda me agrada mas não agrada a Pequena e vice-versa, isso nos faz abrir um leque de bandas para todos estilos e gostos.
Enfim, certo dia um perfil no twitter gringo nos pediu pra ouvir seu som, era o perfil de Ben Draiman, um musico americano. Ouvi e a primeira impressão foi, "nunca ouvi nada igual", o musico consegue colocar uma emoção unica em sua musica, ligando linhas de piano, um vocal expressivo e cheio de emoção além de uma guitarra distorcida e bateria.
Depois das primeiras conclusões, me peguei pensando que conhecia esse nome de algum lugar, ao pesquisar e ler um pouco sobre o musico, descubro de onde: Ben é irmão de David Draiman, vocalista e fundador da banda Disturbed, apesar do parentesco a musica de Ben é totalmente diferente e bem mais calmo e leve do que o irmão faz no Disturbed. Mesmo no cover que faz do Disturbed, Ben reformula a musica de uma maneira que fica praticamente irreconhecível! Se você esta esperando algo no estilo da banda, não se iluda, aqui a coisa é menos vertiginosa, sem nenhum pé no metal, é um rock experimental, -não sei se é possível usar outro rotulo no estilo do cara- e isso não torna menor o seu trabalho, pelo contrário.

A musica do cara ser diferente do que o irmão produz a anos não é algo ruim, é algo muito positivo pois temos em mãos algo novo, com identidade. Como o musico e algumas publicações sobre ele o intitulam, é um rock melódico, emocional e muito bem produzido.
Ben recentemente lançou seu EP, The Past Is Not Far Behind que traz seis musicas que te fazem viajar pelas emoções e pelos ritmos desse estilo único criado pelo musico. O EP rendeu clip para musica Avalanche que contém um dos riffs mais legais que já ouvi além de uma melodia linda no piano e uma letra existencial que te faz parar pra refletir no fim... O clip é bem produzido, com uma fotografia linda que encaixa perfeitamente com tudo que eu falei sobre a musica antes, Soon Enough também ganhou um clip, mais simples, com os músicos no estúdio, coisa que não tira o brilho da musica ou do vídeo que da uma proximidade maior ao processo de criação dessa bela canção.

Em The Past Is Not Far Behind ainda pode encontrar musicas incríveis como 21 Seconds, a que mais curti de todas com uma letra que diz muito sobre discussões e palavras ditas sem pensar, com um ritmo melancólico e uma bateria direta esse som é incrível e Would You Know Love? que te faz um questionamento sincero sobre esse sentimento tão exigente que é o amor, com uma melodia mais agressiva deixa claro quanto amar pode machucar. Poderia discorrer sobre todas as musicas do EP sem problemas mas aqui estamos para apresentar o trabalho do cara e não fazer release. (Quem sabe numa próxima?!)
Além desse EP e de singles já lançados, Draimen costuma fazer covers impressionantes com uma leitura intimista e muito emocionante, muitas vezes com uma roupagem unica que nos faz pensar ser realmente uma musica nova.
Finalizando, Ben Draiman faz um som único, onde não consigo pensar em nenhuma banda comparável, o que ao meu ver, se aproxima mais da sonoridade dele é o Keane e mesmo assim estão a quilômetros de distancia em sonoridade e tudo mais, se você procura algo assim, cheio de emoção, reflexão e questionamento com uma sonoridade melodiosa, sincera e intimista, certeza que vai curtir e muito o trabalho do cara e se não procura nada assim, esculta as musicas dele, certeza que irá se surpreender.

06 outubro 2013

23+: Baixistas


Fala pessoas dumal e pessoas nem tão dumal assim! Hoje com muito orgulho inauguramos a nossa lista, a +23, sim entraremos no mundo das listas também, temos coragem pra isso. Nossa lista terá um critério básico, serão sempre os 23 mais importantes alguma coisa, com direito a rápidas menções honrosas.
Começaremos nossa lista pelo instrumento que faz, e muito, nossa cabeça, o baixo. Esse instrumento de som único que da força ao rock -não importando o gênero dentro desse estilo de musica tem importância fundamental. Esta lá encorpando a musica, dando força e fazendo a cozinha junto com a bateria. Muitos nem percebem o som do baixo, outros não dão a importância que merece mas nós do Attitude23, temos preferencia por esse instrumento e por isso o usaremos pra inaugurar essa bagaça, deixando claro que não estamos aqui dizendo que são os melhores baixistas e sim os que são mais importantes, pelo menos pra nós. Tentamos colocar os baixistas que mais tiveram importância no rock e os que mais fazem nossa cabeça, como somos duas pessoas neste blog, a escolha e votação dos baixistas foram bem abrangentes, tornando a lista bem ampla e eclética, esperamos que curtam e se discordarem, pedimos que se sintam a vontade pra comentar, com educação é claro, e dar sua opinião.
Tudo dito e explicado, vamos começar essa bagaça logo:

23º lugar: Johan Niemann (Afterglow/Mind's Eye/Therion/Demonoid/Hubi Meisel/Evil Masquerade/Evergrey)

Viu a lista de bandas que o cara participou? Isso já seria motivo suficiente pra justificar a entrada dele nessa lista mas o fato é que o sueco tem uma formação de jazz e improvisação no baixo, o que o torna muito versátil, basta prestar atenção nessas bandas que ele participou e outras que nem colocamos aqui, ele consegue passear entre subgêneros do metal sem problema nenhum, o cara já tocou de metal extremo a metal progressivo, tudo mantendo um padrão único do seu baixo.
22º lugar: Dee Dee Ramone (Ramones)

O famoso baixista e fundador dos Ramones entra nessa lista por ser um dos primeiros baixistas sem tanta técnica assim, com coragem de ir lá e falar "Foda-se, posso tocar essa porra do jeito que eu quiser e conseguir". Argumentos a parte, o fato é que Dee Dee influenciou e influencia uma leva inteira de muleques que, como ele, não tem lá grande técnica mas tem o espirito punk, o "Do Yourself" na veia. A grande maioria ou todos os baixistas de bandas punks e alguns de outros gêneros, tem influencia desse cara, melhor dizer, teve o encorajamento desse cara.
21º lugar: Marco Hietala (Tarot/Sinergy/Nightwish/Northern Kings)

Marco ao contrário do que todos pensam, inclusive eu até algum tempo atrás (minha esposa que me contou isso), não é fundador do Nightwish, nem muito menos esta na banda desde a mesma já ter algum nome, porém ele foi responsável pelo sucesso maior da banda. Com um jeito simples e carismático de tocar, Hietala tem estudo em violão clássico e igual ao Johan Niemann, ele tem uma versatilidade incrível pra tocar, participou de várias bandas de vários gêneros diferentes (a lista acima descreve só algumas delas), para vocês terem noção ele já chegou a tocar em banda de soul até. Muitas dessas bandas ganharam apenas seus vocais que são tão bons quanto seu baixo.
20º lugar: Jeff Ament (Green River/Mother Love Bone/Temple Of The Dog/Pearl Jam)

A historia de Ament se confunde com a historia do Grunge e rock de garagem, sim vou colocar um paralelo pois como podem notar pelas bandas mencionadas que ele participou, o lance dele tem uma pegada mais rockão que grunge em sí, pegue um trabalho mais recente do Pearl Jam e entendera o que quero dizer aqui. O fato é que, encorajado por Dee Dee Ramone, Jeff treinava o seu baixo com musicas do Ramones na adolescência, após algumas experiencias com baixo foi convidado a entrar na banda Green River que ao dissolver deu origem ao Mother Love Bone, que tinha tudo pra se tornar uma banda grandiosa mas o vocalista da banda, Andrew Wood, morreu de overdose, o que fez Ament tocar no projeto em homenagem ao cara, o Temple Of The Dog, que depois deu origem ao Pearl Jam. Além dessa saga toda, Jeff ganha esta colocação por ser um excelente baixista, evoluindo muito em seu trabalho e estilo.
19º lugar: Robert Trujillo (Suicidal Tendencies/Infectious Groove/Ozzy Osbourne/Black Label Society/Metallica)

Dono de uma técnica inigualável e de uma aparência bizarra, Trujillo tem uma carreira inquestionável, tá bem, tirando o álbum St. Anger e o Lulu do Metallica. Brincadeiras a parte, Trujillo sempre fez bonito tocando com os dedos, no estilo Cliff Burton, com uma harmonia inigualável ele consegue produzir solos de baixos que realmente chamam a atenção. Tocou e toca ao lado de músicos inigualáveis como Ozzy Osbourne, Zakk Wylde e James Hetfield, tendo o respeito de todos e no palco mostrando competência e capacidade igual ou superior aos mesmos. 
18º lugar: Shavo Odadjian (System Of A Down)

Shavo é um baixista contemporâneo que merece elogios. Elogios por sua técnica em atrair um numero de fãs que é anormal para um baixista de nossa época, por conseguir compor musicas com influencias bem inusitadas de musica do oriente médio, apesar do System Of A Down ter perdido isso com o passar dos tempos. O fato é que com um estilo único, apesar de não tão técnico assim, ele conseguiu algo que poucos baixistas de nossa época conseguiram, reconhecimento.
17º lugar: Cliff Williams (AC/DC)

Em 1977, época em que o rock progressivo estava em alta e baixista tocavam tanto quanto guitarristas, faziam solos intermináveis durante os shows junto dos bateristas e tudo mais, Cliff entra no AC/DC (depois da saída de Mark Evans da banda) e muda o rumo disso. Apesar da grande capacidade de Angus Youngs e da escola de riffs dos irmãos Young, Cliff toca um linha de baixo simples, sem frescura, apenas acompanhando o ritmo das guitarras, isso a mais de 30 anos. Cliff junto da bateria, monta uma cozinha simples e sem frescura, direta e sincera, coisa que influenciou muitas bandas desde então.
16º lugar: Geddy Lee (Rush)

Além de baixo, Geddy consegue cantar e tocar teclados, isso já é algo incrível. Pensar que ele monta cozinha com Neil Peart, já é algo foda pra cacete maas ele não entrou aqui por isso ou aquilo não. Lee não apenas toca o baixo enquanto canta e tira alguma coisa no teclado, ele passa quase todas as musicas solando no baixo, é algo insano o que esse cara faz em praticamente todas as músicas do Rush, pra vocês terem noção, isso rendeu vários apelidos ao cara com os que mais deixam claro a sua capacidade sendo "Bruxo" e "God" Lee.
15º Lugar: Leon Wilkeson (Lynyrd Skynyrd)

Leon começou a tocar baixo por ser influenciado pelos Beatles, mais precisamente, Paul McCartney, o seu Beatle favorito. Começou a ganhar reconhecimento por grandes baixistas da década de 70 e logo entrou para o Lynyrd Skynyrd. Leon, com o sucesso da banda na década de 70 estilizou um baixo incrível e tocava linhas únicas nele... Enfim, como nada é perfeito nessa vida, a tragédia bateu as portas e o avião que levava o Lynyrd Skynyrd caiu, matando parte da banda e ferindo gravemente o resto, Wikerson teve o braço esquerdo quebrado de maneira tão brutal que os médicos consideraram amputá-lo, porém, isso não impediu o cara de continuar tocando até os dias de sua morte em 2001.
14º lugar: Jason Newsted (Flotsam & Jetsam/Metallica/Voivod/WhoCares/Newsted)

Jason Newsted, mais conhecido por ter sido o substituto do mítico e falecido Cliff Burton no baixo do Metallica, tem uma carreira respeitável dentro do metal. Dono de vários projetos, participante de outros, Newsted conseguiu produzir junto do Metallica uma das fases mais agressivas da banda e também uma das mais tranquilas, onde a banda passou a fazer uma espécie de rock pesado ao invés de thrash metal de costume. Newsted é famoso por seus solos com baixo e por ter gravado um dos álbuns mais bem sucedidos de todas bandas de metal, o Black Álbum (Metallica) com musicas que apesar de pesadas, são mais acessíveis ao grande público. Com sua saída do Metallica, entrou para banda do Ozzy Osbourne para substituir Robert Trujillo que ironicamente, tinha entrado para o Metallica, no seu lugar.
13º lugar: Tom Hamilton (Aerosmith)

Hamiltom foi um dos fundadores do Aerosmith, ao lado de Joe Perry e Steve Tyler, antes disso já havia passado por algumas bandas ao lado de Perry, quando Tyler quis outro baixista para nova banda, Perry insistiu que o baixista deveria ser Hamilton. Apesar de ter aprendido tocar em guitarra ainda adolescente, Hamilton optou pelo baixo por ser o instrumento que faltava na unica banda da sua cidade. Ele participou de composições de grandes clássicos da banda e tudo mais. O que o tornou mais famoso foi a sua criatividade pois quando fãs da banda pediam palheta durante os shows do Aerosmith, ele tinha que explicar que toca com os dedos e por isso não tinha palhetas pra distribuir, com o tempo teve a geniosa ideia de entregar réplicas dos seus dedos em borracha para os fans.
12º lugar: Sven Pipien (Mary My Hope/Black Crowes)

Sven entrou para o Black Crowes quando a banda já estava com renome, substituindo Johnny Colt. Permaneceu na banda lançando alguns álbuns de estúdio e ao vivo também, para quem conhece o Crowes, sabe das jams que eles são capazes de fazer durante seus shows e Pipien faz solos incríveis nessas jams encorpando ainda mais o clima que essa banda mantém em seus shows. Em meados do ano 2000, o Black Crowes foi convidado pelo mítico Jimmy Page para fazer uma tour tocando músicas do Led Zeppelin, Pipien não só fez essa tour em grande estilo dentro desse cross over como também lançaram um álbum ao vivo dessas apresentações que vendeu como se não tivesse amanhã. Um baixista tocar o material do Led Zeppelin, ao lado de Jimmy Page é algo que merece muito reconhecimento, isso além de tudo mais.
11º lugar: Sid Vicious (Sex Pistols)

Lembra que eu falei que essa lista não prima pelos melhores baixistas? Então, esse é um grandíssimo exemplo disso, Vicious nem sabia tocar baixo direito quando ganhou a fama que tem e provavelmente nunca nem conseguiu desenvolver alguma técnica plausível para o instrumento, a gravação do clássico Never Mind The Bollocks, Here's The Sex Pistols, foi toda feita com o guitarrista da banda, Steve Jones o auxiliando e com as sobras do primeiro baixista, Glen Matlock. O fato que apesar de tudo isso, Vicious se tornou um símbolo, um ídolo maior, mesmo não sabendo tocar nada, ele era o principal ídolo do Sex Pistols, era venerado por sua postura punk e até hoje, décadas após sua morte, punks de todo mundo usam o famoso cadeado em sua homenagem.
10º lugar: John Deacon (Queen)

Reza a lenda que Deacon foi o sétimo baixista testado para entrar na banda e que o mesmo conseguiu o lugar por sua qualidade musical, suas habilidades elétricas e seu temperamento calmo. Deacon foi responsável por compor grandes sucessos do Queen e também por criar instrumentos para banda por causa de seus conhecimentos em Engenharia Mecânica. Aqui estamos falando de um gênio que não utilizava os holofotes pelo seu jeito tranquilo.
9º lugar: Steve Harris (Iron Maiden/Steve Harris British Lion)

Steve é um ícone, o fundador e dono do Iron Maiden criou um estilo único de tocar seu baixo, com os dedos cheios de giz ele faz a famosa "galopada", onde toca uma nota seguida de outras duas notas rápidas. O fato é que além de muita técnica, um jeito inovador de tocar seu baixo, que aliás é estilizado pelo musico, Harris ainda é um grande compositor, grande maioria das musicas do Maiden são compostas por ele, os principais clássicos da banda tem o seu dedo e estilo. Poderia falar milhares de motivos pra determinar a colocação do cara mas é simples, basta ouvir um álbum do Maiden, ou qualquer musica e entenderá que o baixo pulsante do cara é único, é direto, é foda.
8º lugar: John Paul Jones (Led Zeppelin/Them Crooked Vultures)

Influencia para grande parte dessa lista, Jones, antes do Led Zeppelin já era um musico de estúdio, cotado por varias bandas de peso, ele participou de gravações de várias bandas com seus arranjos geniais, até o dia em que conheceu Jimmy Page e o resto virou mais que lenda pois começou a nascer o Led e a historia da musica nunca mais foi a mesma. O fato que no Led, todos os músicos eram incríveis, Jones, além do baixo, tocava linhas de teclado e encorpava ainda mais as musicas da banda, as tornando ainda mais únicas.
7º lugar: Gene Simmons (Kiss)

Simmons é outro grande símbolo, um excelente baixista de uma banda de peso e renome. Compôs grandes musicas de sucesso e tudo mais mas na nossa lista entrou por criar um personagem que tornou o baixo do Kiss acima de todo resto da banda, o "Demon" como é apelidado, tem uma figura mítica com seu baixo em forma de machado, conhecida dentro de todo estilo rock, referenciado por fans de todo mundo.
6º lugar: Julio Cézar (Catedral)

O Catedral começou no meio gospel, passaram para o rock em si e em pouco tempo ganharam grande notoriedade. Clips na MTV, musicas em rádios e muita gente achando demais a sonoridade dos caras. Boas musicas com bons riffs de guitarra e todo resto bem definido. Tudo ia bem até que Cézar, guitarrista da banda, morreu em um acidente de carro, a banda decidiu por não colocar um novo guitarrista em sua formação e em não parar. Optaram então por mudar a sonoridade e, o que mais impressiona na decisão, colocaram o Julio Cézar para trabalhar os solos e manter o seu baixo como instrumento principal no lugar da guitarra que se foi. A decisão foi acertada e Júlio Cézar provou ser um grande baixista fazendo solos ímpares e mantendo a qualidade da banda.
5º lugar: Cliff Burton (Metallica)

Esse é o maior exemplo de um baixista completo que entra nessa lista que voz fala, Cliff Burton foi o lendário baixista do Metallica que faleceu em um acidente de ônibus. Ele já poderia estar aqui por isso, por ser um mito, muita gente nem ouviu seus solos e nem entende nada de baixo mas o acha genial, apenas pelo seu estilo meio hippie, meio thrasher e muito gente boa... Mas Cliff não entra aqui apenas por isso e quem o curte sabe muito bem disso, se você curte os riffs de James Hetfield, saiba que grande parte do que ele aprendeu em harmonia veio desse cara, grande parte do estilo do Metallica, veio desse cara. Os 3 álbuns mais bem vistos de todo estilo de metal, os 3 primeiros álbuns do Metallica, tem esse cara no baixo, influenciando todo o processo de gravação, com direitos a solos dele e tudo mais, isso numa época em que não existia programa de computador pra sincronizar instrumentos em gravações. Burton conseguia colocar efeitos de guitarra em seu baixo.
4º lugar: Roger Waters (Pink Floyd)

Além de um dos maiores e mais famosos baixistas do mundo, Waters é um dos maiores compositores de todos os tempos. Por falar em composições, algo que chama muita atenção é que grande maioria é feita em cima da base do baixo, onde o baixo dita o ritmo, da alma a música e transpassa toda emoção que suas letras criticas, intelectuais e muitas vezes perturbadoras. Waters é um símbolo, apesar de sua carreira conturbada e das brigas com os outros membros do Pink Floyd, ele é um gênio capaz de produzir coisas grandiosas.
3º lugar: Paul McCartney (Beatles/Wings)

Pode ter certeza que praticamente quase toda essa lista aqui é influenciada por esse cara, de uma maneira ou outra. Paul McCartney não só pelo que foi capaz de fazer nos Beatles mas também nos Wings e em sua carreira solo, influenciou a muitos mas muitos caras a se tornarem baixistas ao invés de guitarristas e afíns. Paul, é a imagem do trabalho, do empenho, ele significava isso nos Beatles, se empenhando nas composições enquanto John Lennon vinha com o lado rock e descolado. Apesar de muitas vezes usar guitarra, violões, piano e outros instrumentos, Paul é marcado pelo baixo e por um em especial que sempre será ligado a ele, o Hofner 500/1.
2º lugar: Lemmy Kilmister (Motorhead/Head Cat)

Lemmy não é só simbolo como baixista mas simbolo de vida rock n' roll, muita gente nunca nem ouviu uma musica do Motorhead mas sabe exatamente quem é a figura do cara de chapéu, botas e voz cavernosa. Lemmy é um mito por sua figura, por sua historia de vida fazer parte da historia do rock, pra você ter ideia o cara no inicio dos tempos foi roadie do Jimi Hendrix, toda e qualquer banda referencia o cara por sua historia, por ser quem é. Na estrada a mais tempo que possam imaginar, Lemmy nunca fez musica descartável, o mais ou menos dele é o melhor de muita banda dada como boa por aí. O baixo de Lemmy é estilizado e contem a assinatura dele, o jeito dele tocar é direto e no sistema quanto mais alto melhor, é visceral e influenciou quase que todos baixistas que vieram depois do Motorhead, você pode dizer que Elvis é o rei do rock e que Janis é a primeira dama do mesmo mas o Lemmy, o Lemmy é o rock em pessoa.
1º lugar: John Entwistle (Who)

Antes de tudo tenho que fazer uma confissão, quando estávamos criando essa lista, ainda no esboço, vendo quem entraria ou não nela, a Pequena, minha esposa, disse que Entwistle teria que estar nessa lista, fiquei meio que pensando se sim ou não e fui lembrar do que já tinha visto do trabalho do cara, do show que eu já havia assistido do Who, do solo que ele produz e tudo mais, daí cheguei a conclusão, ele é foda mesmo. Entwistle não é só um grande baixista, ele criou um novo jeito de tocar baixo, mais agressiva, onde vinha um som mais alto e compensava a falta de uma segunda guitarra na banda, ele fazia as vezes da guitarra rítmica com o baixo. Ele também criou o modo "datilógrafo", como ele nomeou, de tocar baixo, onde usa os quatro dedos da mão direita que estava posicionada sobre o baixo para assim tocar as quatro cordas de seu baixo ao mesmo tempo ou de maneiras distintas. John ou Ox como era apelidado, mudou a historia do baixo, influenciou e revolucionou no modo de tocar e tocou até seus últimos dias de vida um som de qualidade entrando para a historia como o maior baixista de todos os tempos.

Menções honrosas:
2/Paul Gray (Slipknot): Pela sua memória e seus fans sempre o lembrando com carinho, pela banda mantendo suas vestes no palco após sua morte, ele conseguiu algo único, estar em turnê mesmo depois de morto.
Joey DeMaio (Manowar): Por ter um baixo cheio de distorções e tudo mais, DeMaio é capas de fazer solos incríveis e é talvez um dos pais dos true metal heads.
Tim Commerford (Rage Against The Machine/Audioslave): As composições de ambas bandas tem um baixo muito forte e o estilo solto de Commeford tocar deixa tudo mais incrível ainda, um dos melhores baixistas contemporâneos.
JD DeServio (Black Label Society/Cicle Of Pain): Integrando a banda de um dos melhores guitarristas de nossa época, capas de improvisar com estilo ao vivo e com uma banda promissora.
Flea (Red Hot Chilli Peppers): Dono de um estilo amalucado, Flea toca uma mistura de funk e rock que exige bastante do baixo com sua banda, ele possui várias técnicas e por isso tem uma grande margem de fans.
Tom Arraya (Slayer): Um dos primeiros a tocar um ESP num tom mais grave e sujo, Arraya além disso é um dos fundadores do tharsh metal.
Jack Bruce (Cream): Poderia dizer que ele influenciou muita gente mas nem vou dizer, prefiro deixar claro pedindo pra ouvirem Cream ao vivo e bastará pra entenderem quem é o cara.
Peter Steele (Fallout/Carnívore/Type O Negative): Dono de um estilo cheio de experimentalismo, o baixo e o estilo dele tocar são únicos e influenciaram muita gente que não conseguiu o mesmo tipo de som mas fez coisa de qualidade.
Les Claypool (Primus): Desenvolveu seu estilo estudando outros baixistas de sucesso, com o tempo criou um estilo único de tocar e de criar musica.

Finalizando, é isso moçada, espero que tenham curtido essa lista pois deu um certo trabalho para fazer, mais uma vez os convido a deixar sua opinião caso discordem ou não, enjoy e caso não conheçam algum dos baixistas ou bandas citados aqui, convidamos a pesquisa-los pois com toda certeza irão curtir.

15 setembro 2013

Estampas e artigos de Rock

Desde do início dos tempos do rock que a arte gráfica o acompanha lado a lado. Sim a arte gráfica é muito importante para o rock, desde que os Beatles resolveram levar as capas de discos a um novo patamar, patamar de arte. Capas que depois se tornaram importantes como conteúdo de álbuns de rock de todos gêneros, acreditem, tem capas que fazem mais sucesso que o álbum em si, exemplos não faltam. Certeza que você deve saber qual é a capa do álbum London Calling do Clash mas não aposto que conheça as musicas. Talvez você já tenha visto essa capa em algum local mas nem saiba do que se trata mas o fato é que viu. Como essa capa em questão muitas outras servem de exemplo. No caso do metal, em todas suas vertentes a capa dos álbuns já deixam claro qual sub-gênero de metal que estamos falando, até mesmo o logo da banda deixa claro isso. Quem curte metal sabe do que estou falando, logotipos são importantes para as bandas, não importa se a banda pertence ao main stream ou ao underground, ela tem que ter um logo todo estilizado que condiz ao seu gênero. Não vou explicar como eles funcionam porque não é essa a proposta do texto mas com uma rápida pesquisa no Google sobre logotipos você vai entender.
Enquanto surgia toda essa evolução em estado de arte com capas, encartes e tudo mais relacionado ao álbum em si, algo surgiu e fez muito sucesso: Estampas de bandas.
Em todas as vertentes do rock vão surgindo estampas, bandas as vendem em shows pra divulgar e arrecadar mais uma grana com seus logotipos e afins estampados em camisetas na sua grande maioria pretas. Independente do tamanho da banda ou do sucesso da mesma, provavelmente alguém vai estar usando uma estampa dela, de boa qualidade ou não.
Eu particularmente prefiro minhas estampas surradas de bandas pouco conhecidas ou se conhecidas que seja uma estampa simples, com uma cor só e algo não tão enorme estampado... tá, você não começou a ler esse texto com curiosidade sobre meu gosto para estampas então deixe-me parar de viajem e voltar ao contexto.
Estampas ganharam alguns patamares sérios em certa época. Fãs fanáticos de alguns sub-gêneros de metal, famosos "trues", passaram a querer "confiscar" estampas de algumas bandas de quem não achavam merecedor de usa-las, os famosos "posers" que nem sempre eram merecedores dessa alcunha. Lembro de muitas brigas por conta disso, lembro de muita gente se machucando serio e de muita gente voltando sem camiseta pra casa também. Outras coisas aconteciam também, pessoa que entrava com estampa de banda dada como inferior pelos trues em festivais de bandas trues, tinham suas camisetas retiradas e muitas vezes eram convidados a se retirar de uma maneira violenta, lembro que em um festival que estive com bandas de thrash e death metal, "confiscaram" a camiseta do Korn de um garoto e a tacaram fogo. Foi uma cena tão bizarra que até o vocalista do Krisiun, Alex Camargo -banda que estava tocando na hora- pediu pro pessoal amenizar a confusão.
Não só no metal as estampas ganharam esse nível de seriedade. Estampas ligadas ao punk rock traziam problemas com skin heads e vice-versa, quem não se lembra do caso dos garotos que tiveram que pular de um trem em movimento por estarem sendo ameaçados por carecas, tudo por causa que um dos garotos estarem usando umas estampas de bandas punk.
O fato era que pra colocar uma determinada estampa, tinha que estar pronto pra assumir riscos e preconceitos. Quem nunca saiu com uma estampa e ouviu de alguma velha evangélica beata doente e fanática "Precisa aceitar Jesus meu filho", (não generalizando a todos evangélicos ou velhas beatas pois só os imbecis fanáticos fazem isso) ou notou olhares acusadores de que provavelmente você é algum delinquente, psicopata, suicida ou vândalo por conta de sua estampa amada?! Sei que muitos que usam estampas mais agressivas já passaram por esse tipo de coisa mas se orgulham de ter sua velha companheira surrada e muitos a guardam até hoje. 
Entretanto chegamos ao ponto chave desse texto: Estampas e muitos outros símbolos do rock estão se tornando artigo de moda para dondocas ou outros públicos que não tem muita ligação com todo significado e simbolismo da coisa. Lojas de roupas femininas estão lançando coleções com estampas de bandas como  Ramones para mulheres que nem se quer sabem o que esses caras representam, sites de moda feminina estão dando dicas "de looks com estampas de rock", tem cantora de funk se apresentando usando estampas e por aí vai, isso causa uma certa amargura, pra não dizer vontade de matar um imbecil que teve essa ideia idiota. 
Fico imaginando os trues tomando camisetas usados como vestidos por dondocas que se tornaram a alegria de tarados adolescentes que festejaram com a mão ou então skin heads invadindo show de funk pra terminar com a poluição sonora, sinceramente até acharia que isso seria um serviço publico dos caras.
O fato é que o rock esta sendo sugado por outros gêneros de qualidade desprezível como sertanejo universitário e por ai vai. Isso causa uma certa situação desconfortável pois até as camisas xadrez que um dia representaram tão bem o grunge, hoje, aqui no Brasil, são artigos ligados ao sertanejo universitário.
Não da pra entender ao certo porque isso vem acontecendo mas uma coisa é fato, se copiam é porque admiram e reconhecem que esta acima deles, simples assim.

12 setembro 2013

Assassinato na Galeria do Rock

Quarta-feira, dia 11/09/2013, estive na Galeria do Rock, que fica no Centro de São Paulo. Cheguei lá por volta das 17:22 e permaneci até as 18 horas. Para quem não conhece, a Galeria do Rock, é uma galeria conhecida por ser voltada em maior parte ao mundo do rock, lá você encontra lojas de estampas, CDs, Vinis, DVDs, artigos temáticos e tudo mais que seja ligado ao nosso aclamado rock n' roll e todas suas vertentes. O prédio fica entre as Rua 24 de Maio e a Avenida Ipiranga, tendo saída pros dois endereços e visão pra ambos, basta atravessar a galeria que terá acesso a um ou outro. Enfim, apresentações feitas vamos ao causo.
Entrei pela parte voltada para 24 de Maio, subi a escadaria e fui dar uma olhada em CDs, pois é, eu e minha esposa, a Pequena que também escreve no Attitude23, temos uma coleção deles e queremos sempre aumenta-la. Por falar em minha esposa, estava trocando uns SMS com ela pra decidir de qual banda levar enquanto caminhava, olhando as vitrines e já pesquisando preços e tals. Quando chego a parte do primeiro andar que dá visão para Avenida Ipiranga, noto que no andar de baixo, no térreo, tem um pessoal se aglomerando, todos olhando para rampa que da acesso ao subsolo que também tem lojas e alguns botecos, em sua grande maioria voltado a outros públicos que não são de vertentes rock em sí.

Noto também que essa rampa esta isolada e que policiais com peritos estão trabalhando naquele local. A primeira vista, já imaginei que alguém tinha cometido suicídio, olhei toda a rampa pelo primeiro andar e não vi nenhum cadáver, "ok, deve ter sido um assalto ou algo do gênero, só pode".
Movido pela curiosidade, pergunto a uma vendedora que também espionava tudo ao meu lado, "parece que feriram um menino lá em baixo". Logo pensei, bacana, deve estar arrebentado mas deve estar bem. Continuo minha pesquisa atrás das nossas novas aquisições quando esculto duas pessoas conversando sobre o caso, pergunto o que realmente aconteceu lá em baixo, "Homicídio", um senhor que ouvia a conversa se adianta a dizer, "Cara matou outro a machadadas", eu já fiquei imaginando a carnificina que deveria estar naquele local.
Movido pela curiosidade e pela vontade de noticiar aquilo pelo blog, (que aliás deu a noticia em primeira mão pelo Tweeter) desci até ao pessoal que se aglomerava tentando ver alguma coisa do trabalho dos policiais. Me infiltrei entre a galera, queria ver e fotografar alguma coisa pra vocês mas o cadáver estava dentro de um bar que tem acesso pela rampa, que já descrevi, dava pra ver o saco preto que o cobria.
Ouvindo uma conversa aqui, uma alí, descobri que foi uma moça na verdade a vitima, entre boatos ficou a duvida se foi atacada a machadadas ou por um canivete, o que todos concordavam era que tinha sido no pescoço os ataques mortais.
Muitos descreveram a gritaria e que o assassino foi preso logo após tentar fugir, ponto pros policiais, pena que nossa justiça já já solta. Enfim, agora que já foi um tempo depois do ocorrido descobrimos que:

 Renata, único nome que a polícia declarou da vitima, que tinha por volta de 25 anos foi esfaqueada pelo ex-marido, Rodolfo Pressegui de 28 anos, no pescoço, por causa de uma discussão envolvendo a atual esposa do mesmo. O cara que é punk não utilizou um machado no assassinato, ele portava um, tentou fugir e foi preso em fragrante junto das pessoas que tentaram ajuda-lo. A polícia acabou tendo que protege-lo de pessoas enfurecidas com o assassinato.

Volto ao que fui realmente fazer naquele local, comprar nossos CDs, compro dois, By Your Side do Black Crowes, mais que bem escolhido por minha mulher (já virou um dos meus álbuns de cabeceira) e Baranga do Baranga que comprei pelo precinho camarada que estava e me fez muito a cabeça com seu rock direto e reto. Conversando com o vendedor da loja onde comprei, a Rock Machine Records (propaganda gratuita a gente vê por aqui), disse que já tinha visto muita coisa por naquela galeria, inclusive pessoal pulando pro suicídio, perguntei se era verdade isso pois de vez em quando aparecia alguém dizendo isso, o cara afirmou que sim, que pelo menos uns 20 já haviam praticado esse le pakour pro inferno lá.

Enfim, tudo isso me deixou meio pensativo quanto a vida não vale nada pra nós, enquanto o IML recolhia o cadáver, eu saia da galeria em sentido ao metrô, muitas pessoas olhavam com curiosidade, todas queriam alguma historia pra contar em casa, pra afirmar que "um cara matou uma mina com um machado a tarde em um local movimentado" ou "esses rockeiros são tudo maluco, um matou a mulher na base da machadada". Mas o fato é que ninguém estava realmente abismado com a situação, uma pessoa foi assassinada, de uma forma brutal, por mais que essa moça possa ter feito algo de errado ou não, ser morta dessa maneira em um local de tamanho movimento é algo insano. Imaginar que como os suicidas citados pelo vendedor, essa jovem vai virar mais uma lenda que poucos acreditam e ainda riem imaginando "uma mina morta em plena luz do dia na Galeria do Rock, só pode ser mentira", torna as coisas ainda mais duras e frias.

O mundo anda tão maluco que as historias reais são as mais inacreditáveis, triste isso, triste imaginar que você poderia estar lá, poderia ser a vitima que virará apenas uma lenda que ninguém acredita.

09 setembro 2013

Santillo: Rock Com Personalidade

Fala rebentos do rock! Hoje trazemos mais uma banda no Underground23. Uma banda que vale a pena ser ouvida e, como já dizemos, aqui entram bandas que realmente gostamos, que vemos qualidade e que acabamos adotando como trilha de nossas vidas, enfim, sem mais delongas, bora começar.
Começo dizendo que apesar de ser considerado musico em carreira solo, Santillo ao meu ver é uma banda, uma banda muito homogênea e boa por sinal, por isso que não usamos o nome do vocalista e compositor Aldo Santillo e sim apenas o seu sobrenome Santillo, como esta estampado na capa de seu primeiro álbum, Despeito. Em uma entrevista cedida pelo musico a nós do Attitude23, ele mesmo ratificou dizendo "Pois é, costumo dizer que sou banda e sou solo...". 

O caro leitor deve estar imaginando por que comecei especificando isso, simples, porque Santillo funciona como uma banda. As composições que foram compostas pelo Aldo Santillo (vocal), alias ele compôs varias musicas ao longo de sua vida e teve a terrível tarefa de escolher algumas para compor seu primeiro álbum, Despeito, essas musicas passaram pelas mãos de Claudio Santillo (guitarra, violão), Cristiano Lage (bateria), Jeovah Júnior (baixo) e de Marcelo Borges (guitarra, violão) além dos colaboradores Lauro Almeida (tocou teclado na gravação do álbum), Mateus Schneider (fez solos em algumas musicas do na gravação álbum) e Walter Clemente (também compositor que ajudou em algumas composições) se tornando ainda mais redondas, com melodias que dão espaço a todos instrumentos e que em momento nenhum copia ninguém, é tudo muito próprio e único.
Santillo esta em processo de mudança de formação da banda, já esta ensaiando para a próxima temporada de shows. O musico afirma que essa nova formação também vai trazer bons frutos, acredito nele e aguardo a chance de ouvir o próximo álbum com essa nova formação que trará frutos diferentes e de qualidade assim como foi o caso de Despeito. 

Por falar em Despeito, devo dizer que é um álbum coeso, honesto e sem frescura com 12 musicas que te levam a vários momentos, tanto em suas melodias quanto em letras. Despeito foi gravado de maneira independente, com os recursos do próprio musico e tem uma qualidade ímpar nas suas gravações, é limpo e direto. Você pode encontrar o álbum disponível pra download e comprar uma cópia física pela página da banda no Facebook (final do post tem o link), vale a pena ter uma copia e a visita na página também pois lá é um canal aberto com o músico que respeita e muito seu publico. 
Santillo é uma daquelas bandas que deixa as pessoas que gostam de rotular rock meio nervosos, eles tem um estilo próprio, algumas vezes beira ao rock clássico como ele mesmo gosta de definir, outras vezes mandam uns blues e até um som mais "abrasileirado" com um gostinho de MPB, calma, eles não fazem "mistureba" não, é algo que simplesmente acontece no som deles e é tão bem encaixado que salvo uma musica ou outra, que estão mais evidentes, que irão perceber tais influencias. Por falar em influencias, desculpem mas não vou dizer o que os influenciou pois mesmo o musico deixando nomes, ele não copia ninguém e isso é evidente em seu trabalho. 
Suas letras trazem uma poesia direta, tratando de sentimentos e momentos cotidianos, como foram sons compostos durante toda a vida de Aldo Santillo, podemos sentir que cada uma condiz com um certo momento da vida do musico e que passam exatamente o que querem falar, são diretas e sinceras e em português, coisa bem difícil de se ver com qualidade. Por falar nisso, no seu primeiro álbum, ainda tem uma bela balada chamada Videogames que é composta em inglês e chama atenção pela qualidade.
 A primeira ouvida do som da banda, de cara chama a atenção o vocal do Santillo, é bem encaixado, tem um tom suave, depois você percebe toda a harmonia da banda e acaba falando, "caramba, essa guitarra meio bluesada é bem foda." O som dessa banda é assim, direto, sem frescura e que quando se esculta prestando atenção sempre encontra algo novo que acaba gostando então aumenta o volume e esculta pois isso é rock n' roll dos bons, coisa que não se encontra muito hoje em dia.

03 setembro 2013

The Unforgiven II: Para Refletir Nas Entrelinhas.


Fala Galera! 
Hoje quero falar de um som que curto muito e que tem uma importância e significado específicos na minha história.
Ressalto que não se trata de release, muito menos pretendo aqui fazer interpretação da música. A meu ver, uma boa música não dá espaço a definições. E é o caso desta. Quero portanto deixar pontos instigantes (pelo menos a mim o são) e, quem sabe, leva-los a viajar nesse som.

Lets Go!


The Unforgiven II sempre foi uma música “curiosa” para mim.

A letra dessa música sempre me chamou muito a atenção por causa das dúvidas que ele levanta com relação a “ela” - segunda personagem da música.

Pede pra que ela conte a ele o que aconteceu e de certa forma, as palavras ou talvez a voz dela, a presença.. eram o suficiente para o acalmar:

Diga as palavras que eu quero ouvir

Para fazer meus demônios fugirem

Fala da “porta” acredito eu, que essa porta seja o coração dele. Ele diz que essa porta está trancada, mas que estará aberta pra ela “SE” ela for sincera, "SE" ela for capaz de o entender.


A porta está trancada agora,
Mas, está aberta se você for sincera
Se você poder entender o eu
Então, eu posso entender o você


Ele diz que ambos compartilham do mesmo paradoxo. E esse paradoxo está presente o tempo todo na música. Isso é bem visível e me chamou muito a atenção.

Ele não tem mais certeza quanto ao que sentia e sabia… parece ter perdido a confiança em todos e talvez por isso toda essa incerteza. Nesse momento ele pergunta se deve abrir a porta pra “ela” como se tivesse se perguntando se deveria confiar nela, se ela merece essa confiança.

Fala da solidão dele, da doença… se pergunta se ela o ama, se ela não o ama.

Jura que a companhia dele não irá machucá-la e diz que se ela deixar de ama-lo, ela nunca o amará novamente.

Há um momento em que fica claro ela entrando em cena na música. Nesse momento tudo deixa de ser apenas suposições e ele começa afirmar. Talvez ela tenha tirado as dúvidas que ele tinha tinha e dessa forma ele passa a ter um pouco mais de certeza.

Ele agora ja tem certeza que ela estará “lá”, “com certeza” ela estará “la”.

Acredito que “ela” deva ter dito que não o abandonaria e por isso, tanta certeza.

Deitada ao lado dele, conversando com ele, ele já consegue ver o sol mesmo de olhos fechado. Como se estivesse com suas esperanças renovadas.. como se pudesse sonhar novamente.

Nesse momento, ele entrega a “ela” a chave, acredito que essa chave seja a confiança dele que ele deposita nela. Mas isso, só acontece depois dessa conversa… Acredito que nessa conversa ele tenha saciado uma de suas maiores dúvidas: Se ela era imperdoável também.

Ele só entrega a “chave” pra ela depois de descobri que sim, ela também é imperdoável. 

Talvez isso o tenha deixado mais à vontade. Ele sabe que ela não poderá o julgar porque ela também não é livre de culpa.


Ele esconde os seus segredos nela. Só ela sabe, só ela tem acesso… Ela tem a “chave”. Ela é imperdoável.


Acredito que todos somos imperdoáveis.


I’m the unforgiven

30 agosto 2013

Entrevista com Santillo

Olá galera do rock, pra começar venho com muita alegria dizer que estamos inaugurando a Sessão Entrevista23 e como já esta evidente serão entrevistas que iremos fazer de maneira que sejam exclusivas com perguntas inteligentes e sobre o trabalho dos músicos. Ao contrário dessas entrevistas que andamos vendo por aí que mais parece de revistas de fofocas nós queremos coisas que como o nome e proposta do blog diz, de atitude.
Para inaugurar essa sessão, conseguimos uma entrevista com Aldo Santillo, músico em carreira solo com uma banda de apoio de peso que acaba de lançar seu primeiro álbum, Despeito, com identidade própria e uma qualidade ímpar nas suas composições.
Santillo foi muito bacana conosco sendo muito atencioso e até mesmo paciente, o cara é extremamente profissional.
Enfim, vamos ao que interessa a entrevista que ficou muito show de bola:

Primeiramente gostaria de agradecer por responder as perguntas do Attitude23 e pela atenção dada ao nosso blog. Poderia se apresentar aos nossos leitores?
Na verdade eu é que agradeço. É sempre um prazer conversar com os blogs de música que são o canal mais forte de divulgação da música independente no Brasil. E, ainda mais, quando eu percebo que houve uma pesquisa feita a respeito da minha música, como é o caso de vocês do Atitude23.
Eu sou Aldo Santillo, tenho 42 anos, e lancei ano passado meu primeiro CD, Despeito. Sou compositor desde os 15 anos, tenho uma formação musical ampla, incluindo mpb, música erudita e, é claro, rock, em especial classic rock. Estudei música nos EUA, onde me aprofundei mais no estudo do violão clássico e popular, mas não me considero instrumentista. Sempre tive grande dificuldade com o instrumento. Tudo o que consegui foi a custo de muitas e muitas horas de prática. Mas me considero um bom compositor, tanto de música, como de letra. Ultimamente aprimorei minha técnica vocal e hoje me vejo mais como cantor e compositor. Fiquei muitos anos longe da música mas, há coisa de 3 anos, voltei a tocar e a compor até que, "um belo dia, decidi mudar". Saí do meu emprego e gravei meu primeiro CD.

Seu som é bem peculiar, arrisco dizer que conseguiu um sonoridade própria. Como chegou a esse estilo e qual gênero costuma usar ao descrevê-lo?
Desde que comecei a tocar violão, já queria tocar minhas próprias músicas. Não via a menor graça em tocar músicas dos outros. E assim foi com as bandas da adolescência. Sempre tocávamos música autoral. Gosto muito de compor e, em especial, de ver como a música se desdobra quando apresentada à banda. Geralmente, chego com uma ideia e vamos construindo em cima. Acho essa interação muito importante e enriquecedora para o todo da música. A mim, me parece que a música pede pra ser de uma forma ou de outra, ela mesma se guia. Bem, dito isso, fica claro que desde o início eu queria fazer o meu som. Às vezes me vejo como uma esponja, que suga tudo que está à sua volta e, dessa mistura, inconscientemente, sai o meu som. Acho que a sonoridade própria vem disso, do meu desejo desde sempre de fazer um som próprio, de não imitar ninguém e, também, em grande parte, à banda que gravou o CD comigo. 
Costumo descrever o meu som como rock. É de rock o que gosto. Não é metal, não curto muito metal, sou mais da turma do classic rock, curto muito grunge e punk rock. Algumas pessoas que respeito muito musicalmente já descreveram meu estilo como hard rock clássico, outras como pop rock, enfim, tem pra todos os gostos. Sempre defini meu som como rock, a não ser algumas músicas específicas, como Despeito e Corpo Macio, que claramente são de outros estilos. Mas, sem querer cair naquele lugar comum, não gosto de me apegar a rótulos. Faço a música que gosto.

O seu primeiro álbum, Despeito, pelo que podemos observar é independente, conte como foi a gravação dele. Já haviam musicas prontas e as utilizou ou as compôs especialmente pra esse debut?
Despeito foi gravado de forma totalmente independente, com meus próprios recursos. Tive a sorte de contar com a banda que fechou com o projeto e fizemos o melhor que poderia ser feito dentro dos nossos recursos de tempo e dinheiro. As músicas foram sendo arranjadas e gravadas ali na hora mesmo. Eu apresentava a música e a galera ia construindo em cima. Todos os arranjos passavam pelo meu crivo, exceto no caso de Videogames, que eu deixei por conta deles e, na minha opinião, saiu uma beleza.
A gravação do CD começou com uma música que gravamos pra participar de um festival, que consistia em gravar uma música para uma letra de um artista já consagrado. Essa música, depois, passou a se chamar Outro Lugar, e está no CD. Gostei muito do resultado e senti a necessidade de gravar mais. Foi assim que juntei a galera (Marcelo Borges, Jeovah Júnior, Claudio Santillo e Cristiano Lage) e gravamos mais 4 músicas: Despeito, Segunda-feira, Corpo Macio e A Fé. Esta última não entrou neste CD, mas certamente estará no próximo. Depois resolvi gravar o CD inteiro.
Como disse anteriormente, já componho desde os 15 anos então meu repertório de composições é grande. Mas, muitas delas, têm letras que não se adequam à proposta que queria pra este CD, ou por serem muito ingênuas ou por retratarem posições que já não fazem parte de nossa realidade ou de minhas opiniões hoje. Pra este CD gravei músicas como Corpo Macio e Nuvens, que são do final da década de 80, portanto com mais de 20 anos de existência. Outras são de um período intermediário, como Videogames, Bandido, Lua, Despeito, Segunda-feira e Nananá, que datam de meados da década de 90. Ponto., Por Alice, As melhores coisas da vida são as mais recentes, de 2011 pra cá.

Como bem sabemos, você se apresenta em carreira solo e não como uma banda em si. Para apresentações ao vivo usa uma banda própria? Quais os integrantes? Eles participaram da gravação de Despeito?
Pois é, costumo dizer que sou banda e sou solo. Só me apresentei até agora com a banda que gravou o CD, já citada acima. E curto bastante essa formação, por conta da sonoridade que ela produz. É o tipo de som que eu curto mesmo, que me dá prazer ouvir. Mas nada impede que me apresente com outra banda. Os integrantes originais são Claudio Santillo (guitarra e violão), Marcelo Borges (guitarra e violão), Jeovah Júnior (baixo) e Cristiano Lage (bateria). Para a gravação do CD convidamos o tecladista Lauro Almeida, grande amigo, para a participação em algumas faixas e o também amigo e virtuose Mateus Schneider, que fez o solo em Nananá. Nos shows, adicionamos o também guitarrista e produtor Leandro Carvalho
Devo dizer também que neste CD tenho um parceiro em duas músicas, o amigo Walder Clemente. São fruto dessa parceria Nuvens e Ponto. 
No último mês estou ensaiando com uma nova galera muito boa, aqui mesmo do Rio de Janeiro, e espero em breve fazer mais shows com essa nova formação. Pelo que vi e ouvi até aqui, o som promete com essa banda também. Em breve estaremos com o "bloco na rua".

Voltando ao álbum Despeito, bem interessante que mesmo em composições mais complicadas como a bluesada Corpo Macio você preferiu compôr em português, coisa bem difícil de se fazer mas entre os sons, encontramos Videogames que esta em inglês e devo dizer que foi um dos sons que mais curti, pensa em compôr mais em inglês ou só foi uma experiência mesmo?
Sempre compus em português e confesso que não entendo muito bem o porquê de muitas bandas novas só gravarem em inglês. Videogames foi feita em inglês pois a fiz quando morava nos EUA, foi uma coisa de momento. Nunca tive a pretensão ou a vontade de compor apenas em inglês, mas também, como vocês já devem ter notado pela diversidade de estilos que permeia Despeito, eu não gosto de me prender a rótulos e nem vejo com estranheza ter uma música em inglês em um CD praticamente cantado em português. Nananá, se formos pensar bem, é uma música sem letra, mas com um forte apelo ao espanhol mexicano. Poderíamos até dizer que é, também, feita em "outro idioma".
Quanto à sua pergunta, a resposta é SIM. Já estou gravando uma nova música em inglês, chamada "I won`t let you down" que tem uma proposta ambiciosa, de gravá-la com uma cantora de blues e soul já consagrada. Espero um dia conseguir esse dueto.

Nananá é uma musica bem inusitada, me diverti muito com ela, como surgiu a ideia dessa musica sem letras?
Nananá já nasceu assim, sem letra. Mas a "diversão" da música nasceu mesmo foi no estúdio, enquanto gravávamos. Claudio colocou uma guitarra meio mexicana, usando slides, e então a criação do tema vocal foi quase que imediato. Nananá foi, sem dúvida, a música que mais nos divertimos gravando e criando em cima. Eu sempre pensei nela como um instrumental onde faríamos uma brincadeira com efeitos sonoros, como é o caso do burburinho e da música subindo dentro dele. Mas o apelo country rock veio depois, no estúdio mesmo. Gostei demais do resultado.

Curti o álbum por inteiro mas tenho minhas musicas prediletas nele como Videogames como já disse, As Melhores Coisas Da Vida que é uma linda homenagem a um filho e Nananá. Quais sons desse álbum que você tem predileção?
Eu sou suspeito, gosto de todas...rs...A minha menina dos olhos, durante muito tempo, foi Segunda-feira, que considero uma música forte, segura, assim como Ponto. Gosto muito de Por Alice e a própria Despeito, que a princípio destoa do resto do CD, mas que, no conjunto da obra, a enriquece.

Já que mencionei As Melhores Coisas Da Vida, uma curiosidade, você logo na introdução dessa musica, deixa claro que é uma homenagem a um filho. Conte-nos sobre essa bela homenagem e esse belo sentimento que é ser pai.
Sim, essa música foi dedicada ao meu filho, João Rafael, hoje com 15 anos. Foi feita num momento difícil pelo qual passamos. Eu quis fazer uma música que todo pai (ou mãe) pudesse cantar para seu filho, daí surgiu essa música e, pelo que tenho ouvido de algumas pessoas, o objetivo foi conseguido. No ano passado, no dia dos pais, fizemos um vídeo colaborativo dessa música, com fotos de fãs e amigos. O vídeo pode ser acessado no http://www.youtube.com/watch?v=19Q8ORG2j1s .

Quais seus futuros projetos?
Pretendo fazer mais shows e gravar mais. Às vezes fico impaciente já que tenho muitas músicas ainda pra gravar e fico pensando naquela adrenalina do estúdio, em como sairão os arranjos, e quero ver isso logo pronto. Mas com paciência tudo acontecerá ao seu tempo.

Enfim, pra finalizar essas perguntas, gostaria de agradecer ao tempo em que dispôs para nos responder e gostaríamos que se despedisse dos nossos leitores.
Gostaria de deixar o meu muito obrigado ao Atitude23 por abrir este espaço importantíssimo para a música independente e, em especial, aos seus leitores. Convido a todos a curtirem meu som, disponível gratuitamente no www.facebook.com/santillo.rock e, também, a compartilhá-lo por aí com os amigos. Na fan page eles poderão acompanhar mais de perto a evolução da minha carreira, ver vídeos, conversar comigo, enfim, é o canal aberto com o público para a comunicação. Valeu demais!

23 agosto 2013

République Du Salém: Um Novo Olhar No Cenário Do Rock Nacional.

Hoje estamos abrindo uma nova sessão no blog que terá como finalidade divulgar bandas underground. Modéstia à parte, essa sessão abre em alto nível!
Há alguns dias fui apresentada a banda République Du Salém. Ouvi uma música e pensei "Cara, bacana!". Ouvi a próxima e curti ainda mais. Desde então venho ouvindo e literalmente lendo as letras. Estudei uma realese cedida pela própria banda a nosso blog e quero aqui, deixar o nosso parecer a respeito da mesma.

Confesso que rock nacional é algo difícil de agradar a meu "paladar auditivo" -Sendo extremamente franca-  Dessa forma, considero-o como o mais complicado de se fazer. Principalmente quando a banda se propõe a fazer em português -Algo que poucas fazem-, e quando fazem, poucos conseguem deixar de forma "bacanuda" sem fugir da proposta.



Ao ouvir o République du Salém fiquei realmente fascinada com a simplicidade e qualidade do som que eles trazem. Quando digo "simplicidade" não estou dizendo que seja pobre, porque isso visivelmente não é, pelo contrário. A banda, tendo como elementos de inspirações Led Zeppelin, Black Crowes, Allman Brother, Titãs e Mutantes, apresenta-nos um rock diferenciado com letras que te prendem, levam a reflexão e desafogam.
Muitos pontos despertaram a minha atenção a respeito da banda. A começar pelo nome. Em contato com a mesma, recebi a seguinte definição que por sinal, é incrível:


Inspirado na obra “A República”, o nome da banda está ligado à ideia de justiça abordada por Platão, exemplificada em uma cidade perfeita, ou seja, sem falhas. Este conceito só é possível se observado em um ambiente onde não haja erros (o chamado “mundo das ideias”). Completando a mesma ideia, a palavra Salém (hebraica-Árabe) tem alguns significados, dentre eles: paz, plenitude, completo. Republique du Salem, um mundo onde é possível ter paz em meio ao caos.

Além do nome, é muito interessante o visual adotado pela mesma o que, aliás, nos passa exatamente a ideia a que seu som se propõe. Um rock sem frescura e visto sob uma nova ótica.
Como uma amante do som do baixo, gostei muito de ver o dialogo do mesmo com a guitarra e de ambos com demais instrumentos e vocal. Tudo em uma simetria perfeita e singular.
Posso dizer com segurança que o primeiro álbum da banda, O Fim Da Linha Não é o Bastante, composto por seis músicas é um álbum completo e cumpre o que a banda se propõe: Trabalhar composições com temáticas urbanas e poética a fim de induzir a conscientização e atitude.
E eles cumprem isso muito bem. Desde a harmonia e sintonia da banda presente em cada canção, onde percebe-se a importância e respeito mutuo e onde cada um tem seu espaço e o ocupa perfeitamente bem, à boa elaboração das letras de suas composições.

O álbum que tem como primeira faixa Cidadão Kane, (acredito que o titulo TALVEZ faça alusão ao super clássico do cinema do ano de 1941: "Citizen Kane". Uma especie de biografia disfarçada da ascensão e queda de uma importante personalidade. O Filme gerou muita discussão na época e ainda se faz intrigante. Mas enfim, apenas suposição, corrijam-me caso esteja enganada ou precipitada) abre as cortinas com uma critica social sobre o nosso famoso "pão e circo", ao comodismo que vivemos em troca de migalhas e incentiva a dar um basta nisso, a não mais acreditar em falsas promessas.

Dando um salto, temos na terceira faixa uma linda música romaticuzinha: Apenas Uma Canção De Amor. Tem um embalo muito bacana, letra singela e que se mostra verdadeira e conta com a participação de Rachael Billman. Essa música contém um sentimento mais profundo e não trata-se de uma mera canção de amor. Mas uma canção para O verdadeiro amor:


"(...)Atrevo-me a rendição a este amor
Que é tão sincero e verdadeiro
E ele escolhe perdão
Mesmo quando eu tropeçar novamente

Eu continuo lutando para ser justificada
E para tornar tudo claro como cristal
Mas quando tudo está caindo aos pedaços
Eu ainda posso sentir você aqui."


Mais um salto e temos  Expresso 212, faixa que encerra o álbum e encerra com chave de ouro. Essa faixa manteve a qualidade presente em todas as outras, com um super arranjo e uma letra simplesmente incrível.

Não é minha proposta falar de todas as musicas. Até porque não conseguiria passar com fidelidade todo o peso que elas carregam.  Mas nota-se através delas, que o République traça um linha onde consegue ir da critica  ao cotidiano sem deixar "cair a peteca" e trazendo consigo, além de melodias vistas de outro angulo, letras muito bem trabalhadas abrindo mão do "Obvio" e assim cedendo espaço a poesia.
E não pensem que exagero ao falar do álbum! Ele é tão foda que foi pré-indicado ao Grammy Latino 2013 nas categorias "Best Brazilian Rock Album" e "Best New Artist".

Composta por Davi Stracci (Vocais), Guido Lopes (Guitarras, violão, piano, pedal-steel), Marcio Albano (Baixo), Raul Lino (Bateria, backing vocal), trata-se de um projeto recente, mas nem por isso inexperiente já que seus componentes possuem individualmente anos de experiencia atuando em diversas áreas no cenário musical.
O République mostrou para o que veio e deixou evidente seu objetivo. Pela maturidade da banda, pela proposta e pela coragem, espero que logo saiam da cena underground e alcem voo. Estou certa que isso não deve tardar a acontecer.