23 setembro 2013

Jason Newsted (Flotsam and Jetsam/ Metallica/ Voivod/ WhoCares/ Newsted)

Desenho: Franci
Arte Final: Pequena

15 setembro 2013

Estampas e artigos de Rock

Desde do início dos tempos do rock que a arte gráfica o acompanha lado a lado. Sim a arte gráfica é muito importante para o rock, desde que os Beatles resolveram levar as capas de discos a um novo patamar, patamar de arte. Capas que depois se tornaram importantes como conteúdo de álbuns de rock de todos gêneros, acreditem, tem capas que fazem mais sucesso que o álbum em si, exemplos não faltam. Certeza que você deve saber qual é a capa do álbum London Calling do Clash mas não aposto que conheça as musicas. Talvez você já tenha visto essa capa em algum local mas nem saiba do que se trata mas o fato é que viu. Como essa capa em questão muitas outras servem de exemplo. No caso do metal, em todas suas vertentes a capa dos álbuns já deixam claro qual sub-gênero de metal que estamos falando, até mesmo o logo da banda deixa claro isso. Quem curte metal sabe do que estou falando, logotipos são importantes para as bandas, não importa se a banda pertence ao main stream ou ao underground, ela tem que ter um logo todo estilizado que condiz ao seu gênero. Não vou explicar como eles funcionam porque não é essa a proposta do texto mas com uma rápida pesquisa no Google sobre logotipos você vai entender.
Enquanto surgia toda essa evolução em estado de arte com capas, encartes e tudo mais relacionado ao álbum em si, algo surgiu e fez muito sucesso: Estampas de bandas.
Em todas as vertentes do rock vão surgindo estampas, bandas as vendem em shows pra divulgar e arrecadar mais uma grana com seus logotipos e afins estampados em camisetas na sua grande maioria pretas. Independente do tamanho da banda ou do sucesso da mesma, provavelmente alguém vai estar usando uma estampa dela, de boa qualidade ou não.
Eu particularmente prefiro minhas estampas surradas de bandas pouco conhecidas ou se conhecidas que seja uma estampa simples, com uma cor só e algo não tão enorme estampado... tá, você não começou a ler esse texto com curiosidade sobre meu gosto para estampas então deixe-me parar de viajem e voltar ao contexto.
Estampas ganharam alguns patamares sérios em certa época. Fãs fanáticos de alguns sub-gêneros de metal, famosos "trues", passaram a querer "confiscar" estampas de algumas bandas de quem não achavam merecedor de usa-las, os famosos "posers" que nem sempre eram merecedores dessa alcunha. Lembro de muitas brigas por conta disso, lembro de muita gente se machucando serio e de muita gente voltando sem camiseta pra casa também. Outras coisas aconteciam também, pessoa que entrava com estampa de banda dada como inferior pelos trues em festivais de bandas trues, tinham suas camisetas retiradas e muitas vezes eram convidados a se retirar de uma maneira violenta, lembro que em um festival que estive com bandas de thrash e death metal, "confiscaram" a camiseta do Korn de um garoto e a tacaram fogo. Foi uma cena tão bizarra que até o vocalista do Krisiun, Alex Camargo -banda que estava tocando na hora- pediu pro pessoal amenizar a confusão.
Não só no metal as estampas ganharam esse nível de seriedade. Estampas ligadas ao punk rock traziam problemas com skin heads e vice-versa, quem não se lembra do caso dos garotos que tiveram que pular de um trem em movimento por estarem sendo ameaçados por carecas, tudo por causa que um dos garotos estarem usando umas estampas de bandas punk.
O fato era que pra colocar uma determinada estampa, tinha que estar pronto pra assumir riscos e preconceitos. Quem nunca saiu com uma estampa e ouviu de alguma velha evangélica beata doente e fanática "Precisa aceitar Jesus meu filho", (não generalizando a todos evangélicos ou velhas beatas pois só os imbecis fanáticos fazem isso) ou notou olhares acusadores de que provavelmente você é algum delinquente, psicopata, suicida ou vândalo por conta de sua estampa amada?! Sei que muitos que usam estampas mais agressivas já passaram por esse tipo de coisa mas se orgulham de ter sua velha companheira surrada e muitos a guardam até hoje. 
Entretanto chegamos ao ponto chave desse texto: Estampas e muitos outros símbolos do rock estão se tornando artigo de moda para dondocas ou outros públicos que não tem muita ligação com todo significado e simbolismo da coisa. Lojas de roupas femininas estão lançando coleções com estampas de bandas como  Ramones para mulheres que nem se quer sabem o que esses caras representam, sites de moda feminina estão dando dicas "de looks com estampas de rock", tem cantora de funk se apresentando usando estampas e por aí vai, isso causa uma certa amargura, pra não dizer vontade de matar um imbecil que teve essa ideia idiota. 
Fico imaginando os trues tomando camisetas usados como vestidos por dondocas que se tornaram a alegria de tarados adolescentes que festejaram com a mão ou então skin heads invadindo show de funk pra terminar com a poluição sonora, sinceramente até acharia que isso seria um serviço publico dos caras.
O fato é que o rock esta sendo sugado por outros gêneros de qualidade desprezível como sertanejo universitário e por ai vai. Isso causa uma certa situação desconfortável pois até as camisas xadrez que um dia representaram tão bem o grunge, hoje, aqui no Brasil, são artigos ligados ao sertanejo universitário.
Não da pra entender ao certo porque isso vem acontecendo mas uma coisa é fato, se copiam é porque admiram e reconhecem que esta acima deles, simples assim.

12 setembro 2013

Assassinato na Galeria do Rock

Quarta-feira, dia 11/09/2013, estive na Galeria do Rock, que fica no Centro de São Paulo. Cheguei lá por volta das 17:22 e permaneci até as 18 horas. Para quem não conhece, a Galeria do Rock, é uma galeria conhecida por ser voltada em maior parte ao mundo do rock, lá você encontra lojas de estampas, CDs, Vinis, DVDs, artigos temáticos e tudo mais que seja ligado ao nosso aclamado rock n' roll e todas suas vertentes. O prédio fica entre as Rua 24 de Maio e a Avenida Ipiranga, tendo saída pros dois endereços e visão pra ambos, basta atravessar a galeria que terá acesso a um ou outro. Enfim, apresentações feitas vamos ao causo.
Entrei pela parte voltada para 24 de Maio, subi a escadaria e fui dar uma olhada em CDs, pois é, eu e minha esposa, a Pequena que também escreve no Attitude23, temos uma coleção deles e queremos sempre aumenta-la. Por falar em minha esposa, estava trocando uns SMS com ela pra decidir de qual banda levar enquanto caminhava, olhando as vitrines e já pesquisando preços e tals. Quando chego a parte do primeiro andar que dá visão para Avenida Ipiranga, noto que no andar de baixo, no térreo, tem um pessoal se aglomerando, todos olhando para rampa que da acesso ao subsolo que também tem lojas e alguns botecos, em sua grande maioria voltado a outros públicos que não são de vertentes rock em sí.

Noto também que essa rampa esta isolada e que policiais com peritos estão trabalhando naquele local. A primeira vista, já imaginei que alguém tinha cometido suicídio, olhei toda a rampa pelo primeiro andar e não vi nenhum cadáver, "ok, deve ter sido um assalto ou algo do gênero, só pode".
Movido pela curiosidade, pergunto a uma vendedora que também espionava tudo ao meu lado, "parece que feriram um menino lá em baixo". Logo pensei, bacana, deve estar arrebentado mas deve estar bem. Continuo minha pesquisa atrás das nossas novas aquisições quando esculto duas pessoas conversando sobre o caso, pergunto o que realmente aconteceu lá em baixo, "Homicídio", um senhor que ouvia a conversa se adianta a dizer, "Cara matou outro a machadadas", eu já fiquei imaginando a carnificina que deveria estar naquele local.
Movido pela curiosidade e pela vontade de noticiar aquilo pelo blog, (que aliás deu a noticia em primeira mão pelo Tweeter) desci até ao pessoal que se aglomerava tentando ver alguma coisa do trabalho dos policiais. Me infiltrei entre a galera, queria ver e fotografar alguma coisa pra vocês mas o cadáver estava dentro de um bar que tem acesso pela rampa, que já descrevi, dava pra ver o saco preto que o cobria.
Ouvindo uma conversa aqui, uma alí, descobri que foi uma moça na verdade a vitima, entre boatos ficou a duvida se foi atacada a machadadas ou por um canivete, o que todos concordavam era que tinha sido no pescoço os ataques mortais.
Muitos descreveram a gritaria e que o assassino foi preso logo após tentar fugir, ponto pros policiais, pena que nossa justiça já já solta. Enfim, agora que já foi um tempo depois do ocorrido descobrimos que:

 Renata, único nome que a polícia declarou da vitima, que tinha por volta de 25 anos foi esfaqueada pelo ex-marido, Rodolfo Pressegui de 28 anos, no pescoço, por causa de uma discussão envolvendo a atual esposa do mesmo. O cara que é punk não utilizou um machado no assassinato, ele portava um, tentou fugir e foi preso em fragrante junto das pessoas que tentaram ajuda-lo. A polícia acabou tendo que protege-lo de pessoas enfurecidas com o assassinato.

Volto ao que fui realmente fazer naquele local, comprar nossos CDs, compro dois, By Your Side do Black Crowes, mais que bem escolhido por minha mulher (já virou um dos meus álbuns de cabeceira) e Baranga do Baranga que comprei pelo precinho camarada que estava e me fez muito a cabeça com seu rock direto e reto. Conversando com o vendedor da loja onde comprei, a Rock Machine Records (propaganda gratuita a gente vê por aqui), disse que já tinha visto muita coisa por naquela galeria, inclusive pessoal pulando pro suicídio, perguntei se era verdade isso pois de vez em quando aparecia alguém dizendo isso, o cara afirmou que sim, que pelo menos uns 20 já haviam praticado esse le pakour pro inferno lá.

Enfim, tudo isso me deixou meio pensativo quanto a vida não vale nada pra nós, enquanto o IML recolhia o cadáver, eu saia da galeria em sentido ao metrô, muitas pessoas olhavam com curiosidade, todas queriam alguma historia pra contar em casa, pra afirmar que "um cara matou uma mina com um machado a tarde em um local movimentado" ou "esses rockeiros são tudo maluco, um matou a mulher na base da machadada". Mas o fato é que ninguém estava realmente abismado com a situação, uma pessoa foi assassinada, de uma forma brutal, por mais que essa moça possa ter feito algo de errado ou não, ser morta dessa maneira em um local de tamanho movimento é algo insano. Imaginar que como os suicidas citados pelo vendedor, essa jovem vai virar mais uma lenda que poucos acreditam e ainda riem imaginando "uma mina morta em plena luz do dia na Galeria do Rock, só pode ser mentira", torna as coisas ainda mais duras e frias.

O mundo anda tão maluco que as historias reais são as mais inacreditáveis, triste isso, triste imaginar que você poderia estar lá, poderia ser a vitima que virará apenas uma lenda que ninguém acredita.

09 setembro 2013

Santillo: Rock Com Personalidade

Fala rebentos do rock! Hoje trazemos mais uma banda no Underground23. Uma banda que vale a pena ser ouvida e, como já dizemos, aqui entram bandas que realmente gostamos, que vemos qualidade e que acabamos adotando como trilha de nossas vidas, enfim, sem mais delongas, bora começar.
Começo dizendo que apesar de ser considerado musico em carreira solo, Santillo ao meu ver é uma banda, uma banda muito homogênea e boa por sinal, por isso que não usamos o nome do vocalista e compositor Aldo Santillo e sim apenas o seu sobrenome Santillo, como esta estampado na capa de seu primeiro álbum, Despeito. Em uma entrevista cedida pelo musico a nós do Attitude23, ele mesmo ratificou dizendo "Pois é, costumo dizer que sou banda e sou solo...". 

O caro leitor deve estar imaginando por que comecei especificando isso, simples, porque Santillo funciona como uma banda. As composições que foram compostas pelo Aldo Santillo (vocal), alias ele compôs varias musicas ao longo de sua vida e teve a terrível tarefa de escolher algumas para compor seu primeiro álbum, Despeito, essas musicas passaram pelas mãos de Claudio Santillo (guitarra, violão), Cristiano Lage (bateria), Jeovah Júnior (baixo) e de Marcelo Borges (guitarra, violão) além dos colaboradores Lauro Almeida (tocou teclado na gravação do álbum), Mateus Schneider (fez solos em algumas musicas do na gravação álbum) e Walter Clemente (também compositor que ajudou em algumas composições) se tornando ainda mais redondas, com melodias que dão espaço a todos instrumentos e que em momento nenhum copia ninguém, é tudo muito próprio e único.
Santillo esta em processo de mudança de formação da banda, já esta ensaiando para a próxima temporada de shows. O musico afirma que essa nova formação também vai trazer bons frutos, acredito nele e aguardo a chance de ouvir o próximo álbum com essa nova formação que trará frutos diferentes e de qualidade assim como foi o caso de Despeito. 

Por falar em Despeito, devo dizer que é um álbum coeso, honesto e sem frescura com 12 musicas que te levam a vários momentos, tanto em suas melodias quanto em letras. Despeito foi gravado de maneira independente, com os recursos do próprio musico e tem uma qualidade ímpar nas suas gravações, é limpo e direto. Você pode encontrar o álbum disponível pra download e comprar uma cópia física pela página da banda no Facebook (final do post tem o link), vale a pena ter uma copia e a visita na página também pois lá é um canal aberto com o músico que respeita e muito seu publico. 
Santillo é uma daquelas bandas que deixa as pessoas que gostam de rotular rock meio nervosos, eles tem um estilo próprio, algumas vezes beira ao rock clássico como ele mesmo gosta de definir, outras vezes mandam uns blues e até um som mais "abrasileirado" com um gostinho de MPB, calma, eles não fazem "mistureba" não, é algo que simplesmente acontece no som deles e é tão bem encaixado que salvo uma musica ou outra, que estão mais evidentes, que irão perceber tais influencias. Por falar em influencias, desculpem mas não vou dizer o que os influenciou pois mesmo o musico deixando nomes, ele não copia ninguém e isso é evidente em seu trabalho. 
Suas letras trazem uma poesia direta, tratando de sentimentos e momentos cotidianos, como foram sons compostos durante toda a vida de Aldo Santillo, podemos sentir que cada uma condiz com um certo momento da vida do musico e que passam exatamente o que querem falar, são diretas e sinceras e em português, coisa bem difícil de se ver com qualidade. Por falar nisso, no seu primeiro álbum, ainda tem uma bela balada chamada Videogames que é composta em inglês e chama atenção pela qualidade.
 A primeira ouvida do som da banda, de cara chama a atenção o vocal do Santillo, é bem encaixado, tem um tom suave, depois você percebe toda a harmonia da banda e acaba falando, "caramba, essa guitarra meio bluesada é bem foda." O som dessa banda é assim, direto, sem frescura e que quando se esculta prestando atenção sempre encontra algo novo que acaba gostando então aumenta o volume e esculta pois isso é rock n' roll dos bons, coisa que não se encontra muito hoje em dia.

03 setembro 2013

The Unforgiven II: Para Refletir Nas Entrelinhas.


Fala Galera! 
Hoje quero falar de um som que curto muito e que tem uma importância e significado específicos na minha história.
Ressalto que não se trata de release, muito menos pretendo aqui fazer interpretação da música. A meu ver, uma boa música não dá espaço a definições. E é o caso desta. Quero portanto deixar pontos instigantes (pelo menos a mim o são) e, quem sabe, leva-los a viajar nesse som.

Lets Go!


The Unforgiven II sempre foi uma música “curiosa” para mim.

A letra dessa música sempre me chamou muito a atenção por causa das dúvidas que ele levanta com relação a “ela” - segunda personagem da música.

Pede pra que ela conte a ele o que aconteceu e de certa forma, as palavras ou talvez a voz dela, a presença.. eram o suficiente para o acalmar:

Diga as palavras que eu quero ouvir

Para fazer meus demônios fugirem

Fala da “porta” acredito eu, que essa porta seja o coração dele. Ele diz que essa porta está trancada, mas que estará aberta pra ela “SE” ela for sincera, "SE" ela for capaz de o entender.


A porta está trancada agora,
Mas, está aberta se você for sincera
Se você poder entender o eu
Então, eu posso entender o você


Ele diz que ambos compartilham do mesmo paradoxo. E esse paradoxo está presente o tempo todo na música. Isso é bem visível e me chamou muito a atenção.

Ele não tem mais certeza quanto ao que sentia e sabia… parece ter perdido a confiança em todos e talvez por isso toda essa incerteza. Nesse momento ele pergunta se deve abrir a porta pra “ela” como se tivesse se perguntando se deveria confiar nela, se ela merece essa confiança.

Fala da solidão dele, da doença… se pergunta se ela o ama, se ela não o ama.

Jura que a companhia dele não irá machucá-la e diz que se ela deixar de ama-lo, ela nunca o amará novamente.

Há um momento em que fica claro ela entrando em cena na música. Nesse momento tudo deixa de ser apenas suposições e ele começa afirmar. Talvez ela tenha tirado as dúvidas que ele tinha tinha e dessa forma ele passa a ter um pouco mais de certeza.

Ele agora ja tem certeza que ela estará “lá”, “com certeza” ela estará “la”.

Acredito que “ela” deva ter dito que não o abandonaria e por isso, tanta certeza.

Deitada ao lado dele, conversando com ele, ele já consegue ver o sol mesmo de olhos fechado. Como se estivesse com suas esperanças renovadas.. como se pudesse sonhar novamente.

Nesse momento, ele entrega a “ela” a chave, acredito que essa chave seja a confiança dele que ele deposita nela. Mas isso, só acontece depois dessa conversa… Acredito que nessa conversa ele tenha saciado uma de suas maiores dúvidas: Se ela era imperdoável também.

Ele só entrega a “chave” pra ela depois de descobri que sim, ela também é imperdoável. 

Talvez isso o tenha deixado mais à vontade. Ele sabe que ela não poderá o julgar porque ela também não é livre de culpa.


Ele esconde os seus segredos nela. Só ela sabe, só ela tem acesso… Ela tem a “chave”. Ela é imperdoável.


Acredito que todos somos imperdoáveis.


I’m the unforgiven